09 Dezembro 2010

Um velho piso de madeira, um piano, roupas de cama espalhadas pelo chão..  Se eu pudesse ser tudo o que quero, eu seria uma cigana. Sem teto, belíssima de saias longas e cabelos sujos. Olhos grandes, negros, enigmáticos. Viveria fluvial, escorrendo livre, sofrida e feliz, mesclada ao xorume desse meu bucolismo urbano. Escreveria cartas zombando de minhas fracas raízes familiares, depois me largaria arrependida, alcoólica, abraçada aos meus, por iguais. Embreagada da minha fé tremenda, e niilista. Me acomodaria no melhor lugar desse nosso mundo de arquitetura social semelhante a do segundo grau: a indiferença. Amaria diversos homens, dormiria com mais alguns. Aceitaria de bom grado o meu ditame de filha bastarda de deus. Viajaria o mundo, e dormiria só com o nascer do sol, acompanhada da minha melancolia colérica, com cheiro forte de tristeza profunda. Mas enquanto não quero estar aqui eu vou estando, com minha carne e meus ossos estreitos, com minha vontade quase incomoda de ficar.. Continuo abstrata dentro de qualquer associação livre que se faça. Então vou esquecer o que aconteceu ontem, segunda, ano passado.. Vou agregando só o inevitável, por que eu sou teimosa, uma incorrigível.

08 Dezembro 2010

banho quente, trilha mariah melodica carey, pernas na parede, janela aberta, pele limpa unhas pintadas, óleos doces, seios livres luz fraca; poesia visual; a lua cresce, recomeçam.. noite boa, pelos, mãos claras, boa noite.

04 Dezembro 2010

Oscila como o estrogênio no meu organismo.
eu disse: como

02 Dezembro 2010

O tempo de ficar já expirou. Faço bolhas do ar que exalo na tentativa de não deixar a água amornar. Não consigo; preciso evitar. O cenário é bonito e familiar mas não parece e não é a minha cidade. Não sou daqui, não sou de lugar algum. Ouço cantigas de roda, hora muito distantes hora bem próximas. Vejo as fotografias, mas não me vejo, e quero estar; - Eu estou, tento me acalmar. Pessoas riem muito, e outraram se calam, silenciam a compania. Há meu tempo, há uma praia, nuvens e um céu tão limpo. Há uma escada e todos sobem; por favor, eu também.